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Idiotice religiosa

[Não é uma notícia nova, mas ouvi isso no Geologic Podcast e tive que colocar aqui.]

Tem gente que diz que não devemos ridicularizar crenças de outras pessoas, em particular com relação a religião. Embora eu até concorde em parte com isso (para alguns casos), definitivamente não acho que a palavra “religião” dá liberdade total para qualquer tipo de idiotice e impede críticas.

Em 2007, uma mulher morreu após dar à luz gêmeos. Ela era testemunha de Jeová, e os praticantes dessa religião não aceitam receber transfusões de sangue, conforme a Bíblia (ou a interpretação deles dela). Ela teve uma hemorragia e, não aceitando o tratamento, morreu.

Isso é já uma idiotice. Uma pena que ela teve tempo de passar seus genes adiante antes de morrer. Mas, de qualquer forma, essa circunstância é uma que até dá para questionar se é válido ridicularizar a crença e chamar a atitude de idiota. Mas essa não é a verdadeira idiotice na situação.

Idiotice completa é o que o padrinho do casamento, sr. Peter Welch, disse após o incidente. E nesse caso não há como discutir que é simplesmente idiotice em sua forma maior, e não há nem como desculpar a afirmação com a cartada da religião. Vejamos o que ele disse:

Não podemos acreditar que ela morreu após o parto nos dias de hoje, com toda a tecnologia que temos.

Tecnologia como… transfusões de sangue, talvez?

Agradecendo a deus pela vida

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O ex-deputado Fernando Carli Filho espalhou esses outdoors pela cidade de Guarapuava, Paraná. Para quem não lembra, esse deputado se envolveu num acidente de trânsito há dois meses que resultou na morte de duas pessoas. Foi confirmado que ele havia bebido antes e provavelmente ele estava em alta velocidade, mas não é sobre isso que quero falar.

Não temos como saber até que ponto o ex-deputado é uma pessoa de fé em deus e até que ponto isso é uma jogada de marketing para ele melhorar sua abalada imagem, mas esse agradecimento a deus me faz pensar em algumas perguntas, e ao meu ver são coisas que qualquer pessoa deveria pensar quando agradece a deus por escapar de alguma situação de perigo. Se isso vai alterar a fé delas não importa, mas é o tipo de coisa sobre a qual as pessoas deveriam pensar antes de sair apressadamente agradecendo um senhor invisível que moraria no céu.

Então deus resolveu salvar a vida do sr. Fernando Carli Filho. Muito bem. Mas se o objetivo de deus era que o sr. Fernando vivesse, por que sujeitá-lo a um acidente grave e a uma longa recuperação, que talvez até deixe sequelas? Se deus pode salvar a vida de uma pessoa que se feriu gravemente numa séria colisão, ele certamente poderia ter impedido tal colisão facilmente. Mas não o fez, deixou o sr. Fernando se envolver num acidente, se ferir gravemente, e depois que ele se recuperou (num hospital, com a mais moderna tecnologia e ciência disponíveis), o acidentado agradece deus por ter sobrevivido. Será que ele não devia se perguntar por que deus deixou que ele se envolvesse no acidente em primeiro lugar?

Muitas pessoas vão responder a isso dizendo coisas como o acidente foi uma provação para testar a fé do sr. Fernando, ou para que ele aprenda uma lição, ou que deus não interferiu na condução do sr. Fernando pois o livre arbítrio lhe permite a decisão de dirigir ou não de maneira perigosa, etc. Isso é evitar a pergunta; nenhuma dessas e outras respostas similares responde satisfatoriamente a questão. Mas, mais importante, ainda que esse seja o motivo, isso não corresponde com a visão que os crentes em deus passam dele. Eles afirmam que deus é bom, que é benevolente, caridoso, e diversas outras características positivas. Mas será que alguém que assiste passivamente a uma pessoa por em risco a sua vida e de outras pessoas para só depois interferir deixando-a viva para que essa pessoa aprenda alguma coisa pode ser considerada boa? Na minha definição de “boa” certamente não, mas talvez o conceito (e outros correlatos) variem de pessoa a pessoa.

Outra questão é quanto aos dois jovens que estavam no outro carro envolvido no acidente, que morreram. Por que deus não os salvou assim como fez com o sr. Fernando Carli Filho? Será que eles eram pessoas más? Será que eles fizeram algo errado os olhos de deus? Será que não eram dignos de salvação? Por que será que a “benevolência” de deus não chegou a eles?

Não temos como responder a essas perguntas. Mas isso leva a ainda outra dúvida, que nada tem a ver com religião: será que não passou pela cabeça de quem fez o outdoor que talvez não fosse de melhor tom colocar outdoors agradecendo por estar vivo (independente do motivo disso) enquanto outras pessoas morreram no acidente? Ainda mais com a suspeita de que o acidente foi causado pelo sr. Fernando Carli Filho?

Questão aos cristãos

Não creio que nenhum leitor deste site seja realmente um fervoroso cristão, mas…

(E talvez a mesma questão valha para judeus e muçulmanos, mas não tenho certeza, principalmente quanto a estes últimos.)

Enfim, direto ao ponto: se o “bondoso” deus chegasse para você e dissesse que você deve matar (ou sacrificar, embora isso não mude o ato) seu filho, o que você faria?

E mais: como você responderia se não soubesse que na última hora deus mudou de ideia e salvou o filho de Abraão? (Se bem que em outra ocasião não teve essa colher de chá.) Isso mudaria de alguma forma a reação?

Quantas pessoas deus matou?

Pelo menos 2.391.421 (dois milhões, trezentos e noventa e um mil e quatrocentos e vinte e uma). E um milhão destes de uma vez só (II Crônicas 14:9-12), o que é uma façanha respeitável até para os dias violentos de hoje.

Na verdade, o número exato é muito maior, já que essa contagem inclui apenas os números indicados inequivocadamente na bíblia. Não estão contadas as pessoas que morreram no dilúvio ou nas diversas pragas mandadas por deus.

Incluindo estimativas para outros casos cujos números de mortos não são ditos explicitamente, obteve-se uma estimativa de 34 milhões.

E ainda dizem que “deus é amor”. Que tal “deus é serial-killer”?

Exatamente o que eles precisam

Papa envia óleos para arcebispo de L’Aquila, uma das cidades atingidas pelos terremotos na Itália.

Deus prefere os ateus

deus-prefere-ateus

Clique para ver o resto da tirinha.

50 razões para rejeitar a evolução

Depois de ler essas 50 razões, realmente não há como não acreditar que foi um deus que criou todas as espécies de vida exatamente como elas são hoje.

Mais auto-ridicularização

Originalmente eu ia mencionar isso no post anterior, mas não quis tirar o foco daquele post, então aqui vai uma nota rápida.

É basicamente mais um caso de um integrante da Igreja Católica inconscientemente expondo a igreja ao ridículo (mas nesse caso um seguidor, não um “dirigente”). A sra. Dana Malda, de Muskegon, Michigan, EUA, escreveu uma carta para um programa que havia tratado do caso do avião que pousou no rio Hudson perguntando/criticando por que não houve nenhuma menção a deus, já que ele “direciona pilotos de aviões e garante a segurança dos passageiros”. (E o piloto levou todo o crédito. Bastardo!)

Bom, aparentemente deus devia estar no banheiro quando todo o incidente começou e o avião perdeu o controle, então. Felizmente era o número 1 e ele voltou a tempo de salvar todos.

Vocês podem ler a carta aqui, ou, melhor ainda, ouvir o George Hrab lendo (e comentando) a carta no episódio 105 de seu podcast.

E daí?

Para resumir a história, uma CRIANÇA de NOVE anos foi ESTUPRADA em sua PRÓPRIA CASA por seu PADRASTO, e, como se não bastasse, ENGRAVIDOU e de GÊMEOS. Os médicos determinaram que ela corria considerável risco de MORRER (nenhuma surpresa, afinal é só uma CRIANÇA não totalmente desenvolvida ainda) e que seria recomendável interromper a gravidez. O aborto foi feito (AMPARADO DUPLAMENTE pela lei brasileira, afinal foi um ESTUPRO com RISCO DE MORTE à mãe), a criança passa bem fisicamente (psicologicamente vai levar MUITO TEMPO para reparar o TRAUMA), e o que o a Igreja Católica Apostólica Romana faz? Sua Excelência Revendíssima dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, EXCOMUNGA a mãe da menina e os médicos responsáveis pelo tratamento. E outras autoridades da Igreja APÓIAM isso, claro.

Certo, mas… e daí?

Que diferença isso vai fazer? Não é algo que vá, digamos, MUDAR a vida deles. Na verdade, não vai fazer diferença NENHUMA.

Continuando a história, como se não bastasse, o arcebispo ainda diz que NÃO CABE ao PADRASTO ESTUPRADOR a EXCOMUNHÃO, porque o ESTUPRO, segundo ele, NÃO É GRAVE O SUFICIENTE PARA ISSO. (Vejam vocês mesmo o vídeo.)

É verdade que isso faz a gente ficar com vontade de bater a cabeça na parede até ter uma concussão, mas passada a vontade de inicial de vomitar, ainda é uma situação que não faz diferença nenhuma para os envolvidos (felizmente, a lei defende que, ao menos neste caso, o ESTUPRO é muito pior que o ABORTO que, se não fosse feito, provavelmente ia fazer a menina MORRER). A única prejudicada, ao meu ver, é a própria Igreja e seus “dirigentes”, que se sujeitam ao ridículo quando expõem publicamente seus ideais arcaicos, incoerentes, estreitos (ao não analisar todo o contexto que levou ao fato) e, ao contrário da opinião médica, baseados em dogmas e não em fatos concretos.

Claramente, a Igreja acha que a gestação deveria ter sido levada adiante. Mesmo que a menina não morresse, ainda assim uma criança de nove anos não está pronta para ser mãe, mesmo que a gravidez fosse o resultado de uma relação consentida. Some tudo isso ao trauma psicológico de ter sido violentada, e ter que carregar por nove meses o resultado disso, e ainda cuidar por tempo indefinido dos filhos, mas mesmo assim a Igreja acha que o aborto não deveria ter sido feito. Esse é o senso de “justiça” da Igreja Católica Apostólica Romana.

Viva a tolerância religiosa

Tolerância Religiosa

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