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Questão aos religiosos
Eu gostaria de poder dizer que isso é uma invenção minha, mas não, foi tirado daqui. Mas é tão bom que tive que traduzir e colocar aqui.
No nosso gedankenexperiment, você tem duas pílulas, e deve tomar uma das duas.
Se você tomar a pílula vermelha, morrerá na hora. Se existir o paraíso, seus pecados serão perdoados (se sua religião requer isso), e você irá para o paraíso imediatamente e para sempre. Se não existir, você simplesmente morre e deixa de existir.
Se você tomar a pílula azul, você viverá uma vida longa e próspera. Você não morrerá precocemente de doença, acidentes, assassinato, etc. Mas, se existir o paraíso, você estará fora dele. Quando você morrer de velhice, você simplesmente deixa de existir, e não vai para o paraíso, mesmo que ele exista para todos os outros.
E aí? Qual pílula vai ser?
Ao meu ver, qualquer um que realmente acredite deveria dizer que toma a pílula vermelha. Por outro lado, se você se considera crente de uma religião, mas ficou em dúvidas na hora de responder, será que você realmente acredita nos preceitos de sua religião?
Não é a Aposta de Pascal
Se você andar com alho em volta do seu pescoço e vampiros não existirem, você não tem nada a perder.
Mas se vampiros existirem e você não tiver alho em volta de seu pescoço, você tem tudo a perder. (Digamos, uns 5 litros de sangue.)
Desta forma, andar com alho em volta de seu pescoço toda a sua vida é sem dúvida a opção mais segura.
(Via Dwindling in Unbelief)
Aborto de forma simplificada
Marque um X na opção que você prefere:
| [ ] | Mulheres vão fazer abortos por diversos motivos, mesmo que você seja contra a ideia, e independentemente de quanto papo sobre jesus você use. Você prefere que elas, inclusive as mais pobres, façam o aborto nas melhores condições possíveis, com médicos experientes, em hospitais de qualidade, de forma a haver o menor risco para a mulher. |
| [ ] | Mulheres vão fazer abortos por diversos motivos, mesmo que você seja contra a ideia, e independentemente de quanto papo sobre jesus você use. Você prefere que elas, principalmente as mais pobres, façam o aborto recorrendo a remédios (sem indicação ou orientações de uso), “médicos” que estão mais para açougueiros, ou coisas como cabides e agulhas de tricô, com grandes riscos de complicações graves ou até mesmo a morte. |
Questão aos religiosos (sobre aborto)
É claro que não espero receber respostas, primeiro porque eles só sabem repetir o discurso pronto e não realmente discutir, e segundo porque não creio que realmente haja uma resposta para essa questão. Mesmo assim vale o questionamento para provocar reflexão. Exceto dos realmente religiosos, pois se eles pensassem sobre o assunto (ao invés de simplesmente aceitar uma opinião de alguma autoridade e nunca mais questioná-la ou mesmo pensar sobre ela), não seria mais religião.
Vamos lá então:
Pelo que posso concluir por tudo o que vejo das suas posições a respeito do aborto, o que vocês querem, na verdade, é viver num mundo utópico onde simplesmente ninguém faz aborto nunca.
Justo. Mas como vocês pretendem que isso aconteça? Tornar o aborto crime (ou no caso, manter, já que é assim atualmente) não funciona.
O problema não é legislação. Pode continuar proibido, e as pessoas vão continuar fazendo. Então qual sua solução concreta para tentar chegar a essa utopia, e por que você acha que ela vai funcionar?
Por favor respondam essa questão, não quero que venham dizer que o aborto é pecado, assassinato, que a bíblia proíbe, e muito menos que o candidato X é a favor do aborto.
A propósito: o presidente não decide nada sobre o aborto
E o pior de tudo, em relação ao exposto no post anterior, é que o presidente não decide nada em relação ao aborto.
É isso mesmo, seus bandos de crentes: mesmo que o Plínio ganhasse (já que ele foi o único que falou clara e abertamente que era a favor da descriminalização do aborto – pena que ninguém avisou para ele que o socialismo morreu), ele pouco poderia fazer para que o aborto fosse efetivamente descriminalizado.
Não acredita? Eu explico, e não com afirmações vazias ou boatos, mas com a Constituição.
Quem decide sobre o aborto é o congresso. O presidente pode propor um projeto de lei, mas quem vai decidir é o congresso. Ou ele pode não propor, mas nada impede que outras pessoas proponham.
Mas e se o presidente (p.ex., o Plínio) quisesse mesmo liberar o aborto, ele não poderia, digamos, editar uma medida provisória para isso, para que o congresso não precisasse votar antes de a descriminalização entrar em vigor?
Não, pois o aborto é crime conforme o código penal, e não é possível editar medidas provisórias sobre direito penal (Constituição, art. 62, § 1º, inciso I item b). E, de qualquer maneira, ela depois teria que ser votada pelo congresso. Então, mesmo o Plínio só poderia propor a lei, mas quem decide é o congresso.
E se o presidente (p.ex., a Marina Silva) fosse realmente contra o aborto, o que ele poderia fazer? Novamente, quase nada. Ele pode não propor uma lei, mas não pode impedir que outra pessoa o faça e que o congresso discuta a lei. O máximo que pode fazer é vetar a lei caso o congresso a aprovasse, mas ainda assim, a decisão final não é dele: o congreso pode derrubar o veto com maioria absoluta dos deputados e senadores (Constituição, art. 66, § 4º).
Dependendo do ponto de vista (ou da estratégia…), pode ser necessário mudar a constituição a respeito do tema (a meu ver só o código penal precisaria ser alterado, mas direito é uma coisa complicada). Mesmo assim, o presidente não pode fazer nada. Ele pode propor a emenda, mas não há como alterar a constituição sozinho – não há nada parecido com medidas provisórias para emendas constitucionais. E se for contra, mas outra pessoa propuser a emenda e o congresso aprovar, esta é promulgada pelas mesas do senado e câmara, ou seja, não cabe veto (Constituição, art. 60, § 3º).
Em resumo, não é o presidente que decide sobre o aborto. Então toda a campanha dos religiosos fanáticos contra um ou outro candidato é simplesmente inútil. Eu vejo então duas possibilidades: ou eles são muito burros, ou muito espertos, e a questão do aborto é só uma distração. O verdadeiro motivo para não quererem um determinado candidato é outro, mas eles se aproveitam da ingenuidade de suas ovelhas e usam a questão do aborto como pretexto para eleger o candidato que querem sem mostrar os reais motivos para tal.
Dando crédito onde crédito é devido: esse posto foi inspirado neste texto, onde eu descobri mais esta grande ironia da eleição.
Eu sou mais contra o aborto que você!
Está havendo uma briga entre o Serra e a Dilma para ver quem é mais contra o aborto. Que é uma comparação que nem faz sentido, daí se vê o nível a que chegou a campanha.
Na minha interpretação, isso começou por que bandos de fundamentalistas religiosos que querem que voltemos à Idade Média vêm fazendo campanha contra a candidata Dilma alegando que ela e o PT são a favor da descriminalização do aborto, apesar de nunca mostrarem um documento oficial do PT que comprove isso. (Não duvido que exista, só chamo a atenção para o fato para mostrar que tudo isso é baseado em boataria.) Clique aqui para um exemplo dessas campanhas. AVISO: o texto contém um número imenso de bobagens e pode causar diveros efeitos em pessoas com mais de dois neurônios, desde náusea até a vontade de bater a cabeça repetidamente na parede.
E o Serra, claro, sutilmente se aproveita disso.
Aí a Dilma, que quando não tinha a preocupação de agradar eleitores era sensata e a favor da descriminalização, pisa na Constituição, cospe na Constituição (art. 19, inciso I) e fazendo tudo por votos, corre para dizer que não, que é contra o aborto, que não vai mudar a lei, etc. E, novamente de maneira sutil, através da BoatoNet, ataca o Serra, dizendo que ele que é o herege matador de criancinhas.
Aí vem o Serra e faz a mesma coisa que a Dilma: pisa e cospe na Constituição, porque quer, assim como a Dilma, que o Estado siga os mandos e desmandos de uma religião na questão do aborto, dizendo que também é contra o aborto e não quer mudar a situação atual.
O resultado: o Brasil perde. Primeiramente, perde-se nessa questão em particular do aborto, porque depois de tanto falatório, dificilmente o assunto vai ser discutido. E perde-se ainda mais pois enquanto toda a campanha se foca nisso e não se fala em outra coisa, outros temas mais importantes são ignorados.
Partidos e abortos
Qualquer um que vem acompanhando a corrida presidencial deve ter visto que há uma forte campanha de alguns grupos evangélicos contra a Dilma e o PT pois este partido supostamente defende a descriminalização do aborto, e como qualquer grupo religioso, eles querem controlar o que todo o mundo faz ou deixa de fazer. Se você não sabia disso, considere-se feliz por isso.
A Dilma, esquecendo-se que o estado deve ser laico e fazendo tudo o possível por um punhado de votos, abriu as pernas para os pastores (não que eles se interessem, a não ser que ela fosse uns 50 anos mais nova) e correu para afirmar que não, que é contra o aborto e que não vai mudar a lei, etc, etc. Ponto negativo para ela, mas isso é outra história.
Voltando à questão do PT, não sei se faz parte do programa do partido a descriminalização ou não do aborto. E não me importo com isso.
Porém…
Há pelo menos um partido que defende claramente a descriminalização do aborto, e este é o… surpresa! o Partido Verde, que lançou a ilustríssima candidata Marina Silva.
E, ao contrário de pessoas que saem por aí dizendo que o partido X é a favor de Y sem nunca mostrar algo que confirme isso, eu provo:
http://www.pv.org.br/interna_programa_cap7.shtml
1.g) legalização da interrupção voluntária da gravidez com um esforço permanente para redução cada vez maior da sua prática através de uma campanha educativa de mulheres e homens para evitar a gravidez indesejada.
(grifo meu, naturalmente)
Folheando por ali encontrei outra coisa digna de nota que vai deixar os pastores e ovelhas que defendiam com unhas e dentes a Marina e o PV alarmados:
http://www.pv.org.br/interna_programa_cap8.shtm
3.
[...]
O PV propõe:
a) uma nova Lei de Entorpecentes, legalizando o uso da Canabis Sativa para fins industriais, médicos e pessoais, [...]
Resumo do Cristianismo
Cristianismo é a crença em que um zumbi judeu cósmico pode fazer você viver para sempre se você simbolicamente comer sua carne e beber seu sangue e telepaticamente disser para ele que o aceita como seu mestre, para que ele possa remover a força maligna dentro de você que existe em toda a humanidade porque uma mulher-costela foi convencida por uma cobra falante a comer de uma árvore mágica.
É, faz bastante sentido.
(Traduzido e ligeiramente adaptado daqui.)

