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Você acredita nisso?

Quase sempre, ao nos depararmos com assuntos pseudocientíficos, encontramos o uso da idéia de “acreditar”. Pessoas dizem que acreditam (ou que não acreditam) em espíritos, em fenômemos paranormais, na astrologia, em maneiras de prever o futuro, na homeopatia, etc.

Essa é uma maneira errada de lidar com isso. O fato de acreditar ou não em algo é totalmente irrelevante para a sua existência (ou inexistência) ou sua validade. Supondo que existissem fenômenos paranormais (ou espíritos, ou o monstro do lago Ness, etc.), o fato de eu, você, o papa, o Lula, ou qualquer outra pessoa acreditar ou não neles em nada vai alterar essa existência, nem vai torná-la mais (ou menos) plausível.

O mesmo vale com relação a coisas cuja validade é questionada (e não sua existência), por exemplo a homeopatia ou outras “curas alternativas”. Geralmente os defensores da homeopatia dizem que “acreditam” nela. É bom para eles isso, mas irrelevante. Se a homeopatia realmente funciona (qualquer que seja o motivo ainda não compreendido pela ciência), ela vai funcionar independentemente de o paciente acreditar nela ou não. (Uma observação necessária aqui é que neste caso em particular, acreditar no tratamento pode ajudar na sua eficácia, mas isso é válido tanto para tratamentos “tradicionais” quanto “alternativos”, tanto para tratamentos comprovados quanto os de validade duvidosa.)

A mesma coisa vale para o “não acreditar”. Se algo existe ou é válido, o fato de não acreditar nele em nada influencia na sua existência ou validade. Alguém pode até dizer que não acredita na lei da gravidade, mas os efeitos dela vão continuar valendo para aquela pessoa. Ou alguém pode dizer que não acredita na dengue, mas pessoas vão continuar ficando doentes, e algumas até morrendo disso.

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