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	<title>Eduardo Kalinowski &#187; homeopatia</title>
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	<description>Se você se ofende facilmente, não continue</description>
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		<title>(Outra) carta à Gazeta do Povo</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Mar 2010 13:07:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(E sobre o mesmo assunto.)
Tão logo saiu a notícia sobre o parlamento briânico e a homeopatia, foi publicada uma reportagem sobre o assunto no jornal Gazeta do Povo. Desta vez a reportagem não estava ruim, ela comentou sobre o estudo feito pela comissão do parlamento e depois comentou que (como era de se esperar) os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(E sobre o mesmo assunto.)</p>
<p>Tão logo saiu a notícia sobre o <a href="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2010/03/inglaterra-the-good/">parlamento briânico e a homeopatia</a>, foi publicada <a rel="nofollow" href="http://www.gazetadopovo.com.br/saude/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=976801&amp;tit=Estudo-questiona-homeopatia">uma reportagem</a> sobre o assunto no jornal Gazeta do Povo. Desta vez a reportagem não estava ruim, ela comentou sobre o estudo feito pela comissão do parlamento e depois comentou que (como era de se esperar) os defensores da prática contestaram tal estudo, embora sem oferecer algo para suportar tal posição.</p>
<p>A título de &#8220;interatividade&#8221;, a reportagem pediu aos leitores que emitissem opiniões. Alguns fizeram, ao longo dos dias subsequentes algumas cartas foram publicadas. Eu também decidi então mandar a minha, que reproduzo abaixo:</p>
<blockquote><p>Desde o pedido de comentários de leitores a respeito da homeopatia, suscitado pela notícia de que parlamentares britânicos propuseram que o sistema público de saúde não mais pague por &#8220;tratamentos&#8221; homeopáticos que não funcionam, uma série de cartas foram publicadas neste espaço defendendo a prática.</p>
<p>A maioria delas segue o mesmo padrão: &#8220;Eu sofria de &lt;insira uma doença aqui&gt;. Não conseguia ser curado até que fui a um homeopata. Depois disso, fiquei completamente curado.&#8221; Às vezes temos elementos que tornam a situação quase boa demais para ser verdade como &#8220;depois de uma única dose&#8221; ou &#8220;em poucos dias&#8221;.</p>
<p>Não é meu objetivo desmerecer a experiência de ninguém, mas esses relatos pessoais não têm valor na hora de avaliar se a homeopatia funciona ou não. Embora a situação indique que a homeopatia foi responsável pela cura, há uma série de outras variáveis envolvidas que podem ter influenciado o resultado final. É raro, mas às vezes doenças desaparecem sozinhas, ou a pessoa pode ter mudado algum hábito que fez com que as crises não fossem mais deflagradas, ou pode ter havido uma mudança na dieta que também influenciou o comportamento da doença, etc.</p>
<p>Para confirmar ou não a eficiência de um tratamento, é preciso fazer um estudo que se preocupe ao máximo em eliminar essas variáveis para que a única variável seja o uso do tratamento ou não. Em estudos desse tipo, verificou-se que não houve diferença entre um &#8220;remédio&#8221; homeopático e um placebo.</p>
<p>Também foi mencionado que &#8220;a homeopatia funciona em animais&#8221; e que &#8220;animais são imunes ao efeito placebo&#8221;, logo a homeopatia tem que funcionar. Essa é outra noção errada que vem sendo usada há muito tempo por defensores desta prática. Em primeiro lugar, também aqui são necessários estudos controlados. Simplesmente dizer que &#8220;meu cão foi tratado com homeopatia e ficou curado&#8221; não tem valor pelos mesmos motivos explicados acima. Em segundo lugar, é difícil medir avaliar objetivamente como os animais estão se sentido &#8212; talvez a melhora não seja tão grande, mas o dono ou o veterinário percebam, involuntariamente, uma  suposta melhora maior do que a real melhora sofrida pelo animal. E em terceiro lugar, como Pavlov demonstrou, animais podem ser condicionados. E o condicionamento é um dos elementos do efeito placebo.</p></blockquote>
<p>Para mais sobre estudos a respeito da homeopatia, vejam <a href="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/tag/homeopatia/">os posts anteriores</a>. Sobre o problema com relatos pessoais, recomendo <a href="http://www.youtube.com/watch?v=NPqerbz8KDc">este vídeo</a>. E <a href="http://www.sciencebasedmedicine.org/?p=263">eis</a> <a href="http://www.skeptics.org.uk/article.php?dir=articles&amp;article=it_works_in_animals.php">alguns</a> <a href="http://skeptivet.blogspot.com/2009/07/placebo-effect-in-animals-and-their.html">links</a> sobre homeopatia e efeito placebo em animais.</p>
<p>Esta carta não foi publicada.</p>
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		<title>Inglaterra: The good</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 21:14:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A notícia não é nova, mas merece ser registrada aqui mesmo assim: parlamentares britânicos sugerem que o sistema de saúde público pare de oferecer tratamentos homeopáticos.
Uma comissão do parlamento analisou os estudos feitos sobre a homeopatia e chegou à única conclusão lógica possível (a não ser que você acredite em mágica, claro): que os &#8220;remédios&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A notícia não é nova, mas merece ser registrada aqui mesmo assim: <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1500961-5603,00.html">parlamentares britânicos sugerem que o sistema de saúde público pare de oferecer tratamentos homeopáticos</a>.</p>
<p>Uma comissão do parlamento analisou os estudos feitos sobre a homeopatia e chegou à única conclusão lógica possível (a não ser que você acredite em mágica, claro): que os &#8220;remédios&#8221; homeopáticos não são mais eficientes que um placebo. Em função disso, recomendam que o sistema de saúde britânico não mais custeie &#8220;tratamentos&#8221; homeopáticos, gastando ao invés disso o dinheiro em terapias baseadas em ciência.</p>
<p>Não é uma lei; não sei se é sequer um projeto de lei. Mas já é um avanço, além de ser útil por trazer o assunto à tona &#8212; e não só com a propaganda típica dos homeopatas, mas mostrando a visão científica da coisa.</p>
<p>Precisávamos de algo assim aqui no Brasil também, já que o SUS vergonhosamente <a rel="nofollow" href="http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&amp;id_area=124&amp;CO_NOTICIA=11001">admite</a> práticas como acupuntura e homeopatia.</p>
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		<title>Carta à Gazeta do Povo</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 20:14:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mandei a carta a seguir para o jornal Gazeta do Povo, que hoje publicou uma reportagem afirmando que a procura por &#8220;medicina&#8221; alternativa (que na verdade de medicina não tem nada) deveria ser maior:
Segundo a reportagem publicada no jornal, os números da procura por &#8220;medicina alternativa&#8221; (que eu pessoalmente prefiro chamar de &#8220;pseudomedicina&#8221;) deveriam ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mandei a carta a seguir para o jornal Gazeta do Povo, que hoje publicou <a rel="nofollow" href="http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/saude/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=964554&amp;tit=PR-busca-medicina-alternativa">uma reportagem</a> afirmando que a procura por &#8220;medicina&#8221; alternativa (que na verdade de medicina não tem nada) deveria ser maior:</p>
<blockquote><p>Segundo a reportagem publicada no jornal, os números da procura por &#8220;medicina alternativa&#8221; (que eu pessoalmente prefiro chamar de &#8220;pseudomedicina&#8221;) deveriam ser maiores. Pelo contrário, esses números estão altos demais; o ideal seria se não tivéssemos nenhuma consulta &#8220;alternativa&#8221; e as pessoas fossem tratadas com terapias que efetivamente funcionam.</p>
<p>É lamentável que o SUS gaste o dinheiro dos contribuintes financiando práticas alternativas como as citadas homeopatia e acupuntura, que só são suportadas por relatos anedotais e &#8220;estudos&#8221; de qualidade duvidosa, que usam amostras muito pequenas, que avaliam os benefícios de maneira subjetiva e outros problemas. E, por outro lado, quando são feitos estudos com o rigor necessário, a conclusão é que essas práticas não tem efeito melhor do que um placebo. Embora as práticas muitas vezes não tragam riscos diretos aos pacientes (mesmo porque não têm efeito), elas são perigosas caso alguém troque a medicina baseada em ciência por tais &#8220;terapias&#8221; e deixe de receber o tratamento necessário.</p>
<p>Também é lamentável que a Gazeta do Povo tenha feito uma reportagem incentivando a procura por tais práticas sem ouvir uma opinião contrária a elas, quando na realidade deveria ter feito uma reportagem alertando sobre os perigos no uso de tais práticas e incentivando a procura por métodos de tratamento com eficácia comprovada.</p></blockquote>
<p>O endereço para contato é <a href="mailto:leitor@gazetadopovo.com.br">leitor@gazetadopovo.com.br</a>.</p>
<p>Por motivos óbvios não pude me estender nos detalhes, mas além do que <a href="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/08/lavar-as-maos-e-coisa-do-passado-prevencoes-bizarras-e-ineficazes-para-a-gripe-suina/">já escrevi</a> sobre o assunto, recomendo os sites <a href="http://www.quackwatch.com/">Quackwatch</a>, <a href="http://www.sciencebasedmedicine.org/">Science-based Medicine</a> e <a href="http://www.theness.com/neurologicablog/">Neurologica</a>.</p>
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		<title>Palavras diluídas</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 11:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se uma imagem vale mais que mil palavras, então um vídeo deve valer mais que 1.000.000 palavras. Ou, segundo os princípios da homeopatia, um vídeo seria uma palavra altamente diluída:

É pena que esteja em inglês, mas mesmo não entendendo muito do que ele fala deve ser possível pegar a ideia do que ele está fazendo.
Só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se uma imagem vale mais que mil palavras, então <a href="http://crispian-jago.blogspot.com/2009/09/if-homeopathy-works-ill-drink-my-own.html">um vídeo</a> deve valer mais que 1.000.000 palavras. Ou, segundo os princípios da homeopatia, um vídeo seria uma palavra altamente diluída:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="416" height="345" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DpgAAAPEbdexZYqODP9Nt5kZfcH3SBKRSaEie6YazVvL53uKDfYSkXDocW0AdgrzH4zv6-K_IlnbK1KRA18JQYYdtuviJRYKdoMp1Bpe_JYxJo_gGNq7jAulyPFh1Mv8KW6rW2sEUNHbgA70rfhv2osXOK_KhGzT_XlAyNzXCAfht0ms5HD8O-7UdoZi31K2oU_oGkrvdrCNhZ7qoZ1byNHPBlOPWksSrIxNXOcAWu0zqAG_m%26sigh%3DoDZn6iv0FQmk2QAO4OyJjnifLUc%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;nogvlm=1&amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3D51e06e05f2b2423%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3D99KdzKgon5GQRjcnk3Urw75Jk4g&amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="416" height="345" src="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DpgAAAPEbdexZYqODP9Nt5kZfcH3SBKRSaEie6YazVvL53uKDfYSkXDocW0AdgrzH4zv6-K_IlnbK1KRA18JQYYdtuviJRYKdoMp1Bpe_JYxJo_gGNq7jAulyPFh1Mv8KW6rW2sEUNHbgA70rfhv2osXOK_KhGzT_XlAyNzXCAfht0ms5HD8O-7UdoZi31K2oU_oGkrvdrCNhZ7qoZ1byNHPBlOPWksSrIxNXOcAWu0zqAG_m%26sigh%3DoDZn6iv0FQmk2QAO4OyJjnifLUc%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;nogvlm=1&amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3D51e06e05f2b2423%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3D99KdzKgon5GQRjcnk3Urw75Jk4g&amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den"></embed></object></p>
<p>É pena que esteja em inglês, mas mesmo não entendendo muito do que ele fala deve ser possível pegar a ideia do que ele está fazendo.</p>
<p>Só faltou uma legenda &#8220;This is what homeopaths actually believe&#8221; à la <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trapped_in_the_Closet_(South_Park)">South Park</a>.</p>
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		<title>Antigos remédios e a homeopatia</title>
		<link>http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/08/antigos-remedios-e-a-homeopatia/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 23:59:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos leitores desse site me mandou por e-mail uma lista de antigos remédios que causam espanto hoje em dia. A maioria são produtos feitos com cocaína, heroína e similares. (A lista também circula pelos blogs da internet, por exemplo aqui.)
Não consegui achar muitas informações sobre os produtos específicos, mas é bastante plausível que eles [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos leitores desse site me mandou por e-mail uma lista de antigos remédios que causam espanto hoje em dia. A maioria são produtos feitos com cocaína, heroína e similares. (A lista também circula pelos blogs da internet, por exemplo <a href="http://hypescience.com/10-inacreditaveis-propagandas-antigas-de-cocaina-e-outras-drogas/">aqui</a>.)</p>
<p>Não consegui achar muitas informações sobre os produtos específicos, mas é bastante plausível que eles (ou outros parecidos) tenham existido. A cocaína <a href="http://www.a1b2c3.com/drugs/coc03.htm">era considerada um medicamento</a>, e originalmente a Coca-Cola (feita de folhas de coca, daí o nome) <a href="http://www.snopes.com/cokelore/cocaine.asp">continha uma pequena quantidade da droga</a>.</p>
<p>Por outro lado, os &#8220;remédios&#8221; homeopáticos são basicamente os mesmos desde que foram inventados em 1796. E não digo isso pois <a href="http://www.ceticos.com.br/homeopatia.php">&#8220;remédios&#8221; homeopáticos são e sempre foram apenas água</a>, mas porque, mesmo segundo os conceitos loucos dos homeopatas, eles não mudaram desde que foram inventados. São feitos do mesmo jeito, e com as mesmas substâncias. Alguns novos componentes devem ter sido adicionadas ao repertório, mas não se fala de substâncias que na verdade podiam ser perigosas e foram descontinuadas, ou que não eram tão eficientes e foram substituídas por outras melhores, ou melhorias no processo de fabricação, etc. Basicamente a homeopatia nada mudou em 200 anos.</p>
<p>Por que isso? Por que <strong>homeopatia não é ciência</strong>. A ciência é um processo, e não um conjunto de ideias. Ela é falível e mutável, e está em constante desenvolvimento e evolução. Às vezes descobre-se que substâncias podem ser perigosas, que os riscos não compensam os benefícios (como aconteceu com a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Talidomida">talidomida</a> e a cocaína), ou novos remédios ou procedimentos são descobertos que se mostram melhores que os anteriores, e estes são naturalmente substituídos pelos mais novos. Ao contrário do que ocorre com as pseudomedicinas, imutáveis e estagnadas.</p>
<p>Algo que é imutável, não evolui, mantém-se sempre igual às tradições, não é necessariamente algo pseudocientífico. Mas ao nos depararmos com esta característica devemos elevar o nosso nível de alerta, e se combinada com outros comportamentos típicos das afirmações pseudocientíficas, então provavelmente estamos lidando com alguma bobagem sem nenhum fundamento. &#8220;Se ele parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato.&#8221;</p>
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		<item>
		<title>World Health Organization acerta com relação à homeopatia</title>
		<link>http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/08/world-health-organization-acerta-com-relacao-a-homeopatia/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 12:11:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<category><![CDATA[homeopatia]]></category>
		<category><![CDATA[pseudociência]]></category>
		<category><![CDATA[pseudomedicina]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois da vergonhosa (e perigosa) atuação das autoridades sanitárias brasileiras (tanto o Conselho Regional de Medicina quanto o Ministério da Saúde reconhecem a homeopatia como um tratamento válido), finalmente alguma organização relacionada à saúde acertou ao dizer que a homeopatia não é uma cura ou tratamento.
Trata-se da World Health Organization (WHO), que é a autoridade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois da vergonhosa (e perigosa) atuação das autoridades sanitárias brasileiras (tanto o Conselho Regional de Medicina quanto o Ministério da Saúde <a href="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/08/lavar-as-maos-e-coisa-do-passado-prevencoes-bizarras-e-ineficazes-para-a-gripe-suina/">reconhecem a homeopatia como um tratamento válido</a>), finalmente alguma organização relacionada à saúde acertou ao dizer que a homeopatia não é uma cura ou tratamento.</p>
<p>Trata-se da <a href="http://www.who.int/">World Health Organization</a> (WHO), que é a autoridade diretora e coordenadora para saúde da ONU. Como <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/8211925.stm">relata a BBC</a>, foi emitido um comunicado claro e inequívoco que condena o uso da homeopatia como tratamento para tuberculose, diarreia, malária e outras condições:</p>
<blockquote><p>Dr Mario Raviglione, director of the Stop TB department at the WHO, said: &#8220;Our evidence-based WHO TB treatment/management guidelines, as well as the International Standards of Tuberculosis Care do not recommend use of homeopathy.&#8221;</p>
<p>The doctors had also complained that homeopathy was being promoted as a treatment for diarrhoea in children.</p>
<p>But a spokesman for the WHO department of child and adolescent health and development said: &#8220;We have found no evidence to date that homeopathy would bring any benefit.</p>
<p>&#8220;Homeopathy does not focus on the treatment and prevention of dehydration &#8211; in total contradiction with the scientific basis and our recommendations for the management of diarrhoea.&#8221;</p>
<p>Dr Nick Beeching, a specialist in infectious diseases at the Royal Liverpool University Hospital, said: &#8220;Infections such as malaria, HIV and tuberculosis all have a high mortality rate but can usually be controlled or cured by a variety of proven treatments, for which there is ample experience and scientific trial data.</p>
<p>&#8220;There is no objective evidence that homeopathy has any effect on these infections, and I think it is irresponsible for a healthcare worker to promote the use of homeopathy in place of proven treatment for any life-threatening illness.&#8221;</p></blockquote>
<p>Via <a href="http://depletedcranium.com/who-lays-the-smack-down-on-homeopathy/">Depleted Cranium</a>.</p>
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		<title>Lavar as mãos é coisa do passado: Prevenções bizarras (e ineficazes) para a gripe suína</title>
		<link>http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/08/lavar-as-maos-e-coisa-do-passado-prevencoes-bizarras-e-ineficazes-para-a-gripe-suina/</link>
		<comments>http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/08/lavar-as-maos-e-coisa-do-passado-prevencoes-bizarras-e-ineficazes-para-a-gripe-suina/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 15:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É fácil rir de ideias absurdas para combater a gripe suína quando elas estão longe. Como os rabinos que sobrevoaram Israel cantando e soprando trombetas para impedir que o vírus se espalhe (!!!). Veja o vídeo para rir, mas leia também alguns comentários sérios.
Mas, de repente, as coisas não são mais tão engraçadas quando acontecem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É fácil rir de ideias absurdas para combater a gripe suína quando elas estão longe. Como os rabinos que sobrevoaram Israel cantando e soprando trombetas para impedir que o vírus se espalhe (!!!). Veja o <a href="http://depletedcranium.com/rabbis-on-a-plane-and-you-thought-your-flight-was-bad/">vídeo</a> para rir, mas <a href="http://www.randi.org/site/index.php/swift-blog/671-airborne-against-a-virus.html">leia</a> também alguns comentários sérios.</p>
<p>Mas, de repente, as coisas não são mais tão engraçadas quando acontecem aqui. Como é o caso de uma <a rel="nofollow" href="http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1275022-10406,00-MS+USA+HOMEOPATIA+CONTRA+A+NOVA+GRIPE+E+CAUSA+POLEMICA.html">infeliz reportagem</a> do Jornal Nacional exibida dia 20 de agosto.</p>
<p>Em resumo, a <a href="http://www.pmcg.ms.gov.br/index.php?s=41">Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande</a> pretende evitar a gripe com água. Mas não uma água qualquer, água rotulada &#8220;remédio homeopático&#8221;, pois assim ela obtém poderes sobrenaturais. Abaixo a reportagem completa e comentários meus.</p>
<blockquote><p>O debate sobre a melhor forma de se proteger contra a gripe suína ganhou mais uma polêmica. De Campo Grande, a repórter Cláudia Gaigher mostra que o motivo foi uma decisão da Secretaria Municipal de Saúde.</p></blockquote>
<p>Não vou negar que seja um tanto quanto polêmico, mas não deveria ser. Polêmico é algo que gera alguma discussão, mas no caso de homeopatia, <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12668794">já foi</a> <a href="http://www.mayoclinicproceedings.com/content/82/1/69.full">confirmado</a> <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16125589">que ela não funciona</a>. O que não é de surpreender, visto que os <a href="http://www.quackwatch.org/01QuackeryRelatedTopics/homeo.html">&#8220;remédios homeopáticos&#8221; são apenas água</a>. Então não é uma questão de discussão, é algo que não funciona e que não devia sequer ser considerado.</p>
<blockquote><p>O medicamento já usado na prevenção da gripe comum.</p></blockquote>
<p>Já que foi usado, poderiam ter falado algo sobre os resultados &#8211; se é que fizeram um estudo rigoroso dos resultados, ao invés de se basear em coisas subjetivas como depoimentos de pacientes que dizem que se sentiram melhores alguns dias depois de tomar o &#8220;remédio&#8221;. Mas duvido que tenham feito tal análise.</p>
<blockquote><p>&#8220;Ele é feito a partir do próprio vírus influenza, não especificamente deste vírus influenza que está aqui agora. Mas de várias cepas. Ele foi diluído e dinamizado 200 vezes. O que significa que neste medicamento já não existe nem uma partícula do vírus&#8221;, disse a farmacêutica Ana Paula Zandavalli.</p></blockquote>
<p>Essa é a única parte da reportagem que presta para alguma coisa. A descrição é correta, mas muito breve. Para que não sabe como a homeopatia é feita, isso não ajuda muito a perceber que os <a href="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/06/semana-da-conscientizacao-para-homeopatia/">métodos usados</a> simplesmente não fazem sentido. Além disso, o local onde foi apresentado o lado científico na reportagem não ajuda, visto que logo em seguida autoridades falam das supostas virtudes desse &#8220;medicamento&#8221; que não contém nenhuma partícula do vírus.</p>
<blockquote><p>Um médico homeopata explica como o remédio pode agir no organismo. &#8220;A gente espera que as pessoas que vão desenvolver, desenvolvam os sintomas mais leves e que diminuam os índices de complicações&#8221;, disse o médico homeopata Luiz Darcy Siqueira.</p></blockquote>
<p>Não, o &#8220;médico&#8221; homeopata não explica como o remédio pode agir no organismo. Ele explica o que se deseja que o &#8220;remédio&#8221; faça, mas uma explicação de como o remédio age seria algo muito mais técnico, como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ácido_acetilsalicílico#Mecanismo_de_a.C3.A7.C3.A3o">essa descrição do mecanismo de ação da Aspirina</a>. Mas, como em outras pseudociências, os defensores da homeopatia não são capazes de propor um modelo plausível de funcionamento, e usam no máximo de termos vagos como &#8220;memória da água&#8221; ou &#8220;lei dos semelhantes&#8221;.</p>
<blockquote><p>A prefeitura vai distribuir 400 mil doses em postos de saúde e escolas municipais em Campo Grande. Segundo as autoridades de saúde, essa é mais uma medida preventiva para fortalecer o sistema imunológico da população, não é a cura da gripe A.</p>
<p>&#8220;Não se trata de vacina. É uma prevenção homeopática, mais um cuidado do nosso município prevenindo a infecção em muitas pessoas&#8221;, explicou Rita de Cássia Lourenço, da Sociedade de Homeopatia (MS).</p></blockquote>
<p><strong>Que vergonha!, prefeitura</strong>. Mesmo com o reconhecimento de que é só algo para &#8220;fortalecer o sistema imunológico&#8221;, ainda assim é uma medida ineficaz que traz falsas esperanças.</p>
<blockquote><p>O Conselho Regional de Medicina não vê problemas na medida. &#8220;Não faz parte do manejo clínico da vigilância epidemiológica da influenza, do H1N1, mas se for orientação da homeopatia, que é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, acreditamos que estejam fazendo nas melhores das intenções no sentido profilático&#8221;, disse Antônio Carlos Bilo, do Conselho Regional de Medicina (MS).</p></blockquote>
<p><strong>Que vergonha!, CRM</strong>. O Conselho deveria sim ver problemas na medida, visto que se trata de um tratamento ineficaz (ver links acima). E é ainda mais lastimável que a homeopatia seja uma especialidade reconhecida. Eu esperava que o órgão regulador da atividade médica no Brasil fizesse um trabalho mais sério de separar o joio do trigo com relação a tratamentos que funcionam e tratamentos que são apenas enganação.</p>
<p>Quanto a eles estarem oferecendo a &#8220;prevenção homeopática&#8221; na melhor das intenções, disso eu não tenho dúvidas. Mas precisamos algo mais do que boas intenções, como tratamento e prevenção de verdade. Seria bom se pudéssemos curar (ou prevenir) câncer, AIDS, tuberculose, etc., com &#8220;boas intenções&#8221;, mas infelizmente essa não é a realidade.</p>
<blockquote><p>Os infectologistas são mais cautelosos. &#8220;A gente tenta trabalhar em cima de literatura científica, as coisas que comprovadamente são eficazes, que já têm estudos em cima disso. E eu como infectologista desconheço essa questão de estudo, eficácia&#8221;, disse a infectologista Andrea Lindemberg.</p></blockquote>
<p>Não me surpreende que desconheça, visto que ela não existe. Existem sim alguns estudos que supostamente comprovaram a eficácia da homeopatia, <a href="http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&amp;_udi=B6WXX-4MTJGVV-4&amp;_user=10&amp;_rdoc=1&amp;_fmt=&amp;_orig=search&amp;_sort=d&amp;_docanchor=&amp;view=c&amp;_searchStrId=986913516&amp;_rerunOrigin=google&amp;_acct=C000050221&amp;_version=1&amp;_urlVersion=0&amp;_userid=10&amp;md5=90d2c4d48c39ed8ba92fa8d0c8c12d64">mas eles</a> <a href="http://ije.oxfordjournals.org/cgi/content/abstract/30/3/526">não resistem</a> <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10853874">a uma análise rigorosa</a>: as amostras são pequenas, não foi usado o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Duplo-cego">método duplo-cego</a> corretamente, a avaliação dos efeitos é feita subjetivamente, etc.</p>
<p>Fiquei decepcionado com a posição &#8220;morna&#8221; da infectologista. Mas talvez não seja culpa dela: o repórter pode ter entrevistado várias pessoas, algumas mais veementes, mas escolhida essa médica justamente por ela ser mais cautelosa. Ou a edição pode ter abrandado as afirmações que ela fez.</p>
<blockquote><p>O secretário de Saúde de Campo Grande, Luiz Henrique Mandetta, disse: &#8220;a gente imagina sim funcionar como um elemento de estabilização do humor, como um elemento de calma&#8221;.</p></blockquote>
<p>&#8220;Estabilização de humor&#8221;???? WTF??? Em que século esse cara vive? Será que ele vai sugerir sanguessugas para fazer uma sangria e eliminar maus fluídos?</p>
<p>É realmente preocupante que alguém na posição de Secretário de Saúde faça afirmações como essa.</p>
<blockquote><p>O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Furtado, disse que desconhece estudos que comprovem a eficácia de medicamentos homeopáticos no tratamento da nova gripe.</p></blockquote>
<p>Aqui valem os mesmos comentários feitos com relação à afirmação da infectologista, mesmo por que ele falou a mesma coisa.</p>
<blockquote><p>O Ministério da Saúde reconhece o valor terapêutico da homeopatia em alguns tratamentos pelo SUS. Mas, no caso da nova gripe, o ministério afirmou que nenhum medicamento homeopático está indicado.</p></blockquote>
<p><strong>Que vergonha!, Ministério da Saúde</strong>. Assim como o CRM, eu esperava mais de vocês com relação à filtragem de terapias cientificamente comprovadas das pseudociências. E o pior é que estão usando dinheiro público para financiar a pseudomedicina e charalatões que a praticam.</p>
<blockquote><p>A Secretaria de Saúde de Campo Grande já tinha usado a homeopatia durante o surto de dengue no verão de 2007.</p></blockquote>
<p>Coincidência ou não, em 2007 o estado campeão da dengue foi Mato Grosso do Sul, com 74 mil casos no total, ou 3188 casos por 100 mil habitantes, conforme a <a href="http://www.infectologia.org.br/default.asp?site_Acao=MostraPagina&amp;paginaId=134&amp;mNoti_Acao=mostraNoticia&amp;noticiaId=1019">Sociedade Brasileira de Infectologia</a>.</p>
<p><img class="size-full wp-image-75 aligncenter" title="divisor" src="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/10/divisor.jpg" alt="divisor" width="349" height="22" /></p>
<p>Em resumo, temos uma atuação vergonhosa da Secretaria de Saúde de Campo Grande, suportada pela política de boa vizinhança para com os colegas homeopatas do CRM e do Ministério da Saúde. E, para completar o quadrilátero da vergonha, <strong>que vergonha!, Central Globo de Jornalismo</strong>, não por reportar a atitude irresponsável das autoridades de Campo Grande (é dever do jornalismo fazer isso), mas por fazê-lo de uma maneira que as pessoas possam achar que é um tratamento válido. Deveriam ter mostrado muito mais o lado científico, enfatizando que não há base científica que suporte a homeopatia, que estudos não encontraram indícios de que ela funcione melhor que um placebo, e que <a href="http://www.ceticismoaberto.com/news/?p=1789">há riscos</a> em utilizar a homeopatia ao invés da medicina baseada na ciência.</p>
<p>Um outro blog foi mais rápido e já comentou sobre o assunto: <a href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/08/vacina-homeopatica-contra-gripe-suina.html">Cultura Científica</a>.</p>
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		<title>Semana da Conscientização para Homeopatia</title>
		<link>http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/06/semana-da-conscientizacao-para-homeopatia/</link>
		<comments>http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2009/06/semana-da-conscientizacao-para-homeopatia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 17:10:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Semana passada (de 14 a 21 de junho) foi a Semana de Conscientização para Homeopatia da Associação Homeopática Britânica. Estou atrasado, mas ainda assim devo dizer que concordo plenamente com a importância da conscientização sobre a homeopatia, então coloco abaixo um testmo que recebi há muito tempo sobre o assunto. Provavelmente foi o primeiro texto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Semana passada (de 14 a 21 de junho) foi a <a rel="nofollow" href="http://www.trusthomeopathy.org/what_you_can_do/homeopathy_awareness_week.html">Semana de Conscientização para Homeopatia</a> da <a rel="nofollow" href="http://www.trusthomeopathy.org">Associação Homeopática Britânica</a>. Estou atrasado, mas ainda assim devo dizer que concordo plenamente com a importância da conscientização sobre a homeopatia, então coloco abaixo um testmo que recebi há muito tempo sobre o assunto. Provavelmente foi o primeiro texto que vi que descrevia os princípios da homeopatia, e que me fez ver que as idéias dela se encaixam na categoria &#8220;nem sequer errado&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-75 aligncenter" title="divisor" src="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/10/divisor.jpg" alt="divisor" width="349" height="22" /></p>
<h3>Manual do homeopata mirim</h3>
<p><em>José Colucci Jr.</em></p>
<p>Amiguinho, na matéria &#8220;O que é a homeopatia&#8221;, publicada na seção Ciência do caderno Estadinho (O Estado de S.Paulo, 24/11/01), você aprendeu como a homeopatia funciona e como são feitos os remédios homeopáticos. Com este artigo aqui no Observatorinho você irá, brincando, ampliar os conhecimentos adquiridos naquela leitura. Vamos brincar de homeopata. A diferença é que, ao contrário do Estadinho, eu acho que você já pode exercitar o pensamento crítico. Pensar é coisa que se aprende em criança, como se aprende a nadar e andar de bicicleta. Vamos à brincadeira.</p>
<h4>O remédio de mentirinha</h4>
<p>Quando pequeno eu gostava muito de brincar de médico com as minhas primas. Meu tio, o pai delas, ficava bravo quando nos pegava brincando, e acabava logo com a brincadeira – talvez por medo que alguém se machucasse. Não se preocupe. Brincar de homeopata é seguro, pois, como você verá, na homeopatia não há injeções.</p>
<p>Primeiro é preciso preparar o remédio de mentirinha. Arranje uma porção de frascos de plástico, com tampa, e uma colher. Não use vidro. Vidro pode quebrar e machucar a sua mão. Os frascos têm de estar bem limpos. Coloque cem colheres de água no primeiro frasco e acrescente uma colher do remédio. Que remédio? Ora, que pergunta! Você aprendeu no Estadinho que &#8220;o que pode fazer mal também pode curar&#8221;. Assim, pegue uma substância que cause em pessoas sadias os mesmos sintomas da doença a ser tratada. Por exemplo, para curar doenças que causem vômito, use uma substância que cause vômito em pessoas sadias, como, por exemplo, creolina – aquele desinfetante fedido que a sua mãe usa na casinha do cachorro. Daqui em diante vamos chamar essa substância de princípio ativo. Não use veneno para matar rato como princípio ativo. Não é que tenha perigo; nas diluições que usaremos nada tem perigo. É que você pode errar na receita e matar algum amiguinho.</p>
<p>Pois bem, como dizíamos, coloque cem colheres de água no primeiro frasco e junte uma colher de princípio ativo. Tampe e chacoalhe bem. Não se esqueça dessa parte, pois os homeopatas atribuem a ela uma grande importância. É a chamada sucussão, que faz as moléculas da água absorverem a &#8220;essência&#8221; do princípio ativo em sua memória. Se você não sabia que a água tem memória, ficou sabendo agora. Tem, e é muito boa; tanto que só se lembra do que quer. A melhor maneira de fazer a sucussão, segundo os homeopatas, é golpear o frasco cem vezes contra um objeto macio. Eles usam uma tira de couro, nós podemos usar um travesseiro. Essa é a primeira diluição, chamada C1. Vamos às próximas diluições.</p>
<p>Junte uma colher da solução diluída do primeiro frasco, C1, a cem colheres de água no segundo frasco. Agite o segundo frasco cem vezes. Essa é a diluição C2. Coloque cem colheres de água no terceiro frasco, junte uma colher da diluição C2 e agite cem vezes. Essa é a diluição C3. Prossiga assim, diluindo cada vez mais. Quando você chegar ao sexto frasco, C6, a solução estará tão diluída quanto a água de uma piscina olímpica onde pingou-se uma gota de Creolina. Nessa concentração, a piscina tem mais moléculas do xixi do seu irmãozinho do que de creolina. Não pare por aí. Como futuro homeopata você tem de aprender que &#8220;quanto mais diluído, mais cura&#8221;. Aumentando a diluição, aumentamos a potência do remédio. Vejo pela sua cara que você não acredita. Até parece que você não lê o Estadinho. Se continuar a pensar racionalmente você nunca será um bom homeopata.</p>
<h4>Evite respirar</h4>
<p>Continue diluindo. Evite respirar, pois daqui para a frente a sua respiração introduz no frasco mais moléculas ativas do que as já presentes na solução. Pare quando chegar ao décimo segundo frasco. Olhe para a água. Você vê alguma coisa diferente? Não? Experimente umas gotas. Sente algum gosto estranho? Claro que não, pois na diluição C12 não existe uma só molécula do princípio ativo na solução. Essa diluição equivale aproximadamente a uma gota de princípio ativo dissolvida na água de todos os oceanos da Terra. Se você prosseguir diluindo, como fazem os homeopatas, estará misturando água com água.</p>
<p>Mas aí vem o chato do Juquinha, aquele seu amigo que gosta de ciência. Se ele duvidar da eficácia do nosso remédio, responda à altura. Mostre o quanto ele é limitado em sua visão convencional dos conceitos de química e biologia. Explique que o processo de sucussão &#8220;promove o armazenamento de energia da região infravermelha do espectro nas ligações moleculares do solvente&#8221; e que essa energia é &#8220;liberada pelo contato do solvente com a água dos organismos vivos&#8221;. Eu sei que nem você nem eu entendemos essa explicação. O nosso consolo é que o homeopata que a formulou também não, do contrário jamais teria dito tamanha asneira.</p>
<p>Deixe o Juquinha de lado. Esses escravos da lógica não tem futuro. Quando crescer, aposto que ele será um desses médicos que só aceitam a medicina baseada em evidências. Certamente passará a vida trabalhando num hospital do SUS.</p>
<p>O remédio que acabamos de preparar é muito parecido com o remédio homeopático chamado Kreosotum. Arranje um rótulo para o frasco da última diluição e escreva nele: Kreolinum C12, pois a homeopatia usa nomes em latim. O remédio chamado Natrum Muriaticum, por exemplo, é cloreto de sódio, ou sal de cozinha. Aposto que você, com a sua cabecinha de criança, nunca imaginou que, bem diluído, o mesmo sal que a sua mãe põe nas batatas pode ser usado para curar doenças como úlcera, anemia, febre, tosse comprida e varizes. Não faça essa cara de cético, menino. Desse jeito você vai virar colega do Juquinha no corpo clínico de algum hospital público.</p>
<h4>A consulta homeopática</h4>
<p>Agora que você já tem o remédio de mentirinha, é preciso arranjar um livro de mentirinha. Pegue um bem antigo, de preferência com as páginas já amareladas. Escreva na capa, em letras caprichadas, Materia Medica. A primeira Materia Medica homeopática foi publicada por Samuel Hahnemann, o criador da doutrina, há exatamente cento e oitenta anos. Na época de Hahnemann, os tratamentos médicos convencionais incluíam drogas perigosíssimas, lavagens intestinais, sangrias e aplicação de sanguessugas. Eu não sei você, mas se eu vivesse naquela época preferiria me tratar com o Dr. Hahnemann. Afinal, a maioria das doenças acaba se curando sem tratamento algum. Tenho calafrios só de pensar em uma porção de vermes grudados nas minhas costas, a me chupar o sangue.</p>
<p>Felizmente, a medicina mudou bastante desde 1821. Eu nunca fui tratado por médico que usasse sanguessugas, e olha que eu sou bem mais velho do que você. Os homeopatas, porém, não mudaram muito. Para eles, os princípios de Hahnemann continuam valendo. A Materia Medica que tenho em mãos – escrita por Clarke em 1900, mas ainda bastante usada – diz que o próprio nome latino materia é inapropriado, pois o homeopata lida com &#8220;forças de ordem muito mais alta do que as conhecidas da velha física&#8221;. Não sei por quê, mas a frase me faz lembrar da minha tia Suzi, cuja casa cheira a incenso de patchuli.</p>
<p>O remédio que acabamos de preparar, como eu disse, é parecido com o Kreosotum. Vamos ver lá na Materia Medica para quê serve. O Kreosotum é indicado para dentes cariados, doenças das gengivas, vômitos, certas doenças do estômago e feridas que sangrem muito. Como o remédio é de mentirinha, receite-o para alguém de mentirinha, como uma boneca ou um ursinho de pelúcia. Não!, melhor, receite-o para a sua avó, que está sempre imaginando doenças. A homeopatia é comprovadamente eficaz na cura da hipocondria.</p>
<h4>Boca fechada</h4>
<p>Percebo pela sua cara que você está começando a desconfiar que uma gota de remédio dissolvida em várias vezes o volume de água do Rio Amazonas não pode ter efeito fisiológico. Admiro o seu raciocínio, bem mais arguto do que o de muitos adultos, mas fique de boca fechada. Se você quer ser médico, tem que aprender a não falar mal dos colegas de profissão. É que a homeopatia, como você aprendeu no Estadinho, é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. A grande maioria dos médicos não acredita nela, mas evita falar mal dos homeopatas para não ferir a ética profissional.</p>
<p>Esse negócio de não poder falar mal dos colegas de profissão é realmente estranho. Coloca-se com isso o interesse de uma classe acima do interesse público. Dou um exemplo. Quando eu estava terminando este artigo, a Revista IstoÉ de 27/11/2001, publicou a matéria de título &#8220;Seleção Esotérica&#8221;. A matéria explica como a numerologia e a astrologia estão sendo usadas na seleção de candidatos a emprego. Isto é, tem gente competente sendo discriminada porque foi batizada com o número errado de letras, ou porque o obstetra atrasou a cesariana. Segundo a IstoÉ, várias empresas se utilizam de técnicas esotéricas na seleção de pessoal e administração. Entre os especialistas das &#8220;técnicas alternativas&#8221; de recursos humanos citados na reportagem estão dois engenheiros e uma arquiteta. Eu gostaria muito de dizer o que acho desses picaretas, mas não posso. É a ética, entende?</p>
<p>Vamos parar de brincar, que a sua mãe está chamando. Na semana que vem inventaremos uma brincadeira nova. Estou pensando em algo assim como o Manual do Pequeno Numerólogo, ou O Guia da Criança Astróloga. Por enquanto, vá providenciando a parte mais importante: os clientes. Arranje uma porção de crianças bobas, mas bem bobas mesmo. Peça para trazerem o dinheiro da mesada. Um abraço do tio Zezé.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-75 aligncenter" title="divisor" src="http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/10/divisor.jpg" alt="divisor" width="349" height="22" /></p>
<p>Bom, talvez não seja exatamente esse tipo de conscientização que a Associação gostaria, mas tirando esse detalhe mínimo, eu e ela estamos de acordo.</p>
<p>Deixo também o link para <a href="http://www.theness.com/neurologicablog/?p=556">um post</a> do mesmo tema escrito pelo Steve Novella que vale a pena ler, e para <a href="http://depletedcranium.com/?p=684">uma carta</a> escrita e enviada para um fabricante de remédios homeopáticos com importantes dúvidas como &#8220;se eu sinto que não preciso de uma dose completa e quero meia dose, devo tomar dois comprimidos&#8221;?</p>
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		<item>
		<title>Você acredita nisso?</title>
		<link>http://www.eduardo.kalinowski.com.br/blog/2008/09/voce-acredita-nisso/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 17:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Kalinowski</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quase sempre, ao nos depararmos com assuntos pseudocientíficos, encontramos o uso da idéia de &#8220;acreditar&#8221;. Pessoas dizem que acreditam (ou que não acreditam) em espíritos, em fenômemos paranormais, na astrologia, em maneiras de prever o futuro, na homeopatia, etc.
Essa é uma maneira errada de lidar com isso. O fato de acreditar ou não em algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase sempre, ao nos depararmos com assuntos pseudocientíficos, encontramos o uso da idéia de &#8220;acreditar&#8221;. Pessoas dizem que acreditam (ou que não acreditam) em espíritos, em fenômemos paranormais, na astrologia, em maneiras de prever o futuro, na homeopatia, etc.</p>
<p>Essa é uma maneira errada de lidar com isso. O fato de acreditar ou não em algo é totalmente irrelevante para a sua existência (ou inexistência) ou sua validade. Supondo que existissem fenômenos paranormais (ou espíritos, ou o monstro do lago Ness, etc.), o fato de eu, você, o papa, o Lula, ou qualquer outra pessoa acreditar ou não neles em nada vai alterar essa existência, nem vai torná-la mais (ou menos) plausível.</p>
<p>O mesmo vale com relação a coisas cuja validade é questionada (e não sua existência), por exemplo a homeopatia ou outras &#8220;curas alternativas&#8221;. Geralmente os defensores da homeopatia dizem que &#8220;acreditam&#8221; nela. É bom para eles isso, mas irrelevante. Se a homeopatia realmente funciona (qualquer que seja o motivo ainda não compreendido pela ciência), ela vai funcionar independentemente de o paciente acreditar nela ou não. (Uma observação necessária aqui é que neste caso em particular, acreditar no tratamento pode ajudar na sua eficácia, mas isso é válido tanto para tratamentos &#8220;tradicionais&#8221; quanto &#8220;alternativos&#8221;, tanto para tratamentos comprovados quanto os de validade duvidosa.)</p>
<p>A mesma coisa vale para o &#8220;não acreditar&#8221;. Se algo existe ou é válido, o fato de não acreditar nele em nada influencia na sua existência ou validade. Alguém pode até dizer que não acredita na lei da gravidade, mas os efeitos dela vão continuar valendo para aquela pessoa. Ou alguém pode dizer que não acredita na dengue, mas pessoas vão continuar ficando doentes, e algumas até morrendo disso.</p>
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