Posts tagged: cristianismo

A Bíblia é uma licença de software

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(via)

O que a Bíblia diz sobre pedofilia?

Nada.

É, nadinha. Não toca no assunto em nenhum momento. Ela não aprova a prática, mas também não condena em nenhum momento.

Há quem diga que tal e tal verso estaria condenando a prática (usem o google caso estejam interessados), mas são passagens muito vagas e que podem ser interpretadas de diversas maneiras. Se deus foi específico o suficiente para dizer que não devemos usar roupas tecidas com duas fibras diferentes nem danificarmos a ponta de nossas barbas, cadê o mandamento “Não conhecerás menores de idade”?

Análise das dimensões da figura do Sudário: Jesus teria o cérebro de um Homo erectus

Sudario de TurimEncontrei este interessante artigo (graças ao Pharyngula) que contém uma análise das dimensões da figura no Sudário de Turim (ou “Santo” Sudário), um pedaço de pano que alguns cristãos acreditam ter sido usado para envolver o corpo de Jesus (apesar de toda a evidência em contrário), e que foi recentemente visitado pelo papa Ratzinger I.

Em primeiro lugar, o autor observa que a figura no sudário teria que ter pelo menos 1,83m de altura. Alto até para os padrões de hoje, e sem dúvida alguém que chamaria bastante atenção na época e região onde Jesus teria vivido. No entanto, em nenhuma das “crônicas” da vida de Jesus há nenhuma menção de ele ter sido tão alto.

Outra observação é que um dos antebraços é significantemente maior que o outro. Isso pode ser facilmente visto nas figuras; notem a maneira como os braços se cruzam e um se estende bem mais que o outro. Uma característica física impossível de não ser notada.

Mas o prego (com perdão do trocadilho) final na história se refere às dimensões da cabeça. A cabeça é pequena demais (tanto a largura como a altura) para ser de um homem normal. Em particular, a testa (das sobrancelhas até o topo da cabeça) é particularmente pequena. Isso naturalmente influencia o volume do cérebro, que foi calculado em 800 a 900 cm³ (o volume médio do cérebro de um adulto atual é 1250 cm³; os menores medidos,  ficam pouco acima de 1000 cm³).  Esse valor é compatível com o de um Homo erectus, que viveu mais de um milhão de anos atrás.

Um cérebro tão pequeno implicaria o que chamamos popularmente de retardamento mental.

Combinando mais esse fato com coisas que já se sabia, como a datação por carbono 14 que colocou o sudário como sendo do século 13, ou o fato de que foi possível recriar uma imagem muito semelhante com materiais da época deixam apenas uma conclusão possível: trata-se apenas de uma fraude, e uma fraude que sequer foi muito bem executada.

Cientistas recriam Sudário de Turim

Um cientista italiano recriou o Sudário de Turim, utilizando apenas técnicas e materiais existentes na Idade Média.

Um dos motivos pelos quais cristãos afirmam que o Sudário representa a imagem de Cristo é que não havia ainda uma explicação sobre como a imagem foi passada ao tecido. A descoberta do cientista mostra que não há nenhum processo sobrenatural envolvido e que mesmo com técnicas medievais seria possível criar algo como o Sudário.

Naturalmente, pessoas que acreditam que o Sudário realmente representa a imagem de Cristo mesmo o tecido tendo sido datado como sendo de algum período entre os anos 1260 e 1390 vão ignorar também essa nova evidência de que o Sudário é apenas uma fraude.

Questão aos cristãos

Não creio que nenhum leitor deste site seja realmente um fervoroso cristão, mas…

(E talvez a mesma questão valha para judeus e muçulmanos, mas não tenho certeza, principalmente quanto a estes últimos.)

Enfim, direto ao ponto: se o “bondoso” deus chegasse para você e dissesse que você deve matar (ou sacrificar, embora isso não mude o ato) seu filho, o que você faria?

E mais: como você responderia se não soubesse que na última hora deus mudou de ideia e salvou o filho de Abraão? (Se bem que em outra ocasião não teve essa colher de chá.) Isso mudaria de alguma forma a reação?

Quantas pessoas deus matou?

Pelo menos 2.391.421 (dois milhões, trezentos e noventa e um mil e quatrocentos e vinte e uma). E um milhão destes de uma vez só (II Crônicas 14:9-12), o que é uma façanha respeitável até para os dias violentos de hoje.

Na verdade, o número exato é muito maior, já que essa contagem inclui apenas os números indicados inequivocadamente na bíblia. Não estão contadas as pessoas que morreram no dilúvio ou nas diversas pragas mandadas por deus.

Incluindo estimativas para outros casos cujos números de mortos não são ditos explicitamente, obteve-se uma estimativa de 34 milhões.

E ainda dizem que “deus é amor”. Que tal “deus é serial-killer”?

Como interpretar a bíblia?

Este post é um complemento ao post “A bíblia comentada”, para comentar uma questão que foi lançada em um comentário.

O leitor Carlos falou que não podemos interpretar a bíblia literalmente com os olhos de hoje, por se tratar de um livro muito antigo, então o que está escrito lá não pode ser analisado sob um panorama puramente atual. Isso é completamento correto.

No entanto, não é assim que a bíblia é geralmente interpretada, e sites como o já mencionado Skeptic’s Annotated Bible ou The Brick Testament (que é do mesmo autor) contribuem justamente para essa visão mais crítica e analítica da Bíblia, que é justamente o que é desejável. (Na verdade, precisamos dessa visão crítica em muitos outros aspectos, mas isso é outra história.)

A visão da Igreja, por exemplo, não é essa; a bíblia é a “palavra de deus em linguagem humana” e é “inerrável”; em nenhum momento sustenta que apenas partes dela (as partes boas) devem ser consideradas ou que algumas partes já não fazem mais sentido e devem ser desconsideradas. É verdade (felizmente!) que a Igreja não sai por aí defendendo que pratiquemos alguns ensinamentos de moral questionável da bíblia, como aquele de matar nossos inimigos ou apedrejar quem blasfema o nome do senhor, mas ela também não faz nenhum esforço para lançar uma “nova edição” da bíblia removendo as partes que são apenas curiosidades históricas de um tempo muito mais violento.

Além disso, e mais sério, é extremamente comum vermos pessoas dizendo que seu livro favorito é a bíblia, ou que é um livro cheio de bons exemplos, que é inspiracional, etc., mas nunca vi alguém fazendo a observação que isso só vale para algumas partes e que outras já não se aplicam mais nos dias de hoje e que devem ser desconsideradas. Talvez porque nem sequer saibam dessas partes que a Igreja prefere não comentar muito. Não sei como são as estatísticas aqui no Brasil (se alguém souber, deixe um comentário), mas pelo menos nos EUA poucos realmente lêem a bíblia, mas mesmo entre aqueles que já leram é difícil encontrar pessoas que tenham justamente essa visão de que nem tudo deve ser considerado da mesma forma.

A bíblia comentada

No site Skeptic’s Annotated Bible há o texto completo do livro de histórias mais popular do mundoda bíblia (antigo e novo testamento), com os mais diversos tipos de anotações e comentários.

Todas as passagens que falam de temas como sexo, violência, mulheres ou homossexualismo, por exemplo, estão destacadas visualmente (cada categoria usa uma cor) para consulta rápida. Há também anotações de partes consideradas absurdas ou contraditórias, como a passagem em Gênesis 1:27 que diz que o homem e a mulher foram criados ao mesmo tempo (“So God created man in his own image, in the image of God created he him; male and female created he them.”) e de Gênesis 2:18–2, que diz que primeiro deus criou o homem e depois a mulher de uma costela do homem (“And the LORD God said, It is not good that the man should be alone; I will make him an help meet for him. [...] And the LORD God caused a deep sleep to fall upon Adam, and he slept: and he took one of his ribs, and closed up the flesh instead thereof; And the rib, which the LORD God had taken from man, made he a woman, and brought her unto the man.”).

No mesmo site há também o Alcorão e o Livro de Mórmon comentados.

Linha divisória

PS: Uma “quase continuação” desse post foi escrita em “Como interpretar a bíblia?”.

Pais, não batizem seus filhos

Pelo menos enquanto eles forem recém-nascidos (ou pouco mais que isso), pois dessa forma vocês estarão impondo a eles uma religião que talvez eles não queiram seguir, sem dar a eles a chance de decidir isso.

Deixem que seus filhos, quando crescerem um pouco, decidam a religião que preferem seguir, e se então eles quiserem ser batizados, façam o que for necessário. Mas se eles optarem por alguma outra coisa, suportem-nos nesta outra escolha. Da mesma maneira, deixe que eles decidam se querem ir à catequese ou não, afinal eles têm o direito de não querer seguir aquela religião.

Vocês podem expor as idéias da sua religião se quiserem, apenas deixem claro que, em primeiro lugar, se trata de uma crença sem fundamento científico, e que assim como existe esta crença, existem outras equivalentes. Mas incentivem seus filhos a buscar por eles mesmos pela religião que lhes agradar mais, se for o caso. Incentivem-nos também a procurar pelo outro lado, ou seja, a ver o que outras pessoas têm a dizer com base em métodos científicos verificáveis, para que eles podam decidir por eles mesmos no que acreditar.

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