Carta ao Jornal Nacional

Eu tentei enviar o texto abaixo ao Jornal Nacional, mas por algum motivo o formulário de contato deles só aceita até 1000 caracteres (escrevi um pouco mais que o dobro disso). Então fica como uma carta aberta à redação.

Achei uma excelente iniciativa a reportagem do Jornal Nacional de ontem (25/05) sobre uma pessoa sem qualificação adequada (segundo ela mesma, formada em sociologia) se passando por médico e realizando consultas.

Esse tipo de situação é muito grave por colocar em risco a vida de pessoas que, sem saber, podem estar sendo diagnosticadas por pessoas sem condições para tal. Ainda pior é quando falsos médicos receitam substâncias que podem até mesmo piorar a condição do paciente, ou causar alguma doença que ela não tinha.

Infelizmente, temos muitos casos parecidos com esses na nossa sociedade. Além de pessoas que se dizem médicos, temos também muitas pessoas promovendo os mais diversos tipos de “curas alternativas”, como homeopatia, cromoterapia, aromaterapia, acupuntura, quiropraxia, entre muitas outras, ou simplesmente vendendo supostos remédios para as mais diversas doenças. Todos esses “métodos alternativos” não se baseiam em princípios científicos, não foram testados apropriadamente, não há indícios de que realmente tenham um efeito curativo, e se baseiam em relatos anedotais sobre supostas curas.

Assim como no caso do falso médico do interior de São Paulo, é uma situação grave pois pode colocar a vida de pessoas em risco. Alguns tratamentos simplesmente não curam as pessoas, outros porém podem até fazer mal. Mas mesmo em se tratando de uma substância inofensiva, a partir do momento que alguém deixa de tomar medicamentos que foram testados rigorosamente e cuja eficácia foi comprovada e se submete a tratamentos alternativos, sua doença pode piorar, às vezes até um ponto que suas chances de cura são muito diminuídas.

Desta forma, deixo a sugestão de que, aproveitando esta reportagem apresentada ontem, o assunto de outros tipos de charlatanismo na área da medicina sejam abordados, a fim de alertar as pessoas dos riscos dessas práticas e deixá-las mais informadas para que, em situações difícieis, como a doença sua ou de um familiar, possam fazer uma escolha informada a respeito de como tratar essa doença.

3 comentários

  1. Juliano says:

    Num país em que o Ministério da Saúde reconhece os supostos benefícios da homeopatia, e inclusive vários planos de saúde cobrem seu tratamento (possivelmente porque o efeito placebo é benéfico economicamente), será difícil convencer a TV católica a ir contra sua prática de espalhar ilusões.

    É interessante notar que o futuro Rei Charles encomendou um estudo a um importante grupo britânico tentando referendar a validade de sua querida homeopatia, e a conclusão foi que não há qualquer evidência de cura.

  2. Thiago Medeiros says:

    Pelo menos o cara acertou que a pressão da mulher estava altíssima.

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