Tem um programa em vários países que parece ser uma mistura de O Aprendiz com Ídolos: aspirantes a empresários vão tentar vender seus produtos ou serviços a empresários na esperança de conseguir o capital necessário.
Num programa do Canda, um senhor foi tentar conseguir capital para sua água especial cura de conjuntivite a câncer, e o resultado é o vídeo abaixo:
Digamos que ele não obteve muito sucesso, nem saiu muito feliz do programa.
Mais uma vez, uma organização religiosa, ao invés de fazer algo que realmente ajuda, manda bíblias (na verdade, um dispositivo — alimentado por energia solar — que lê a bíblia, não simplesmente um livro) para os desabrigados do Haiti.
Por que água, comida, roupas, essas coisas não são importantes. O que eles precisam é de bíblias, claro.
Mandei a carta a seguir para o jornal Gazeta do Povo, que hoje publicou uma reportagem afirmando que a procura por “medicina” alternativa (que na verdade de medicina não tem nada) deveria ser maior:
Segundo a reportagem publicada no jornal, os números da procura por “medicina alternativa” (que eu pessoalmente prefiro chamar de “pseudomedicina”) deveriam ser maiores. Pelo contrário, esses números estão altos demais; o ideal seria se não tivéssemos nenhuma consulta “alternativa” e as pessoas fossem tratadas com terapias que efetivamente funcionam.
É lamentável que o SUS gaste o dinheiro dos contribuintes financiando práticas alternativas como as citadas homeopatia e acupuntura, que só são suportadas por relatos anedotais e “estudos” de qualidade duvidosa, que usam amostras muito pequenas, que avaliam os benefícios de maneira subjetiva e outros problemas. E, por outro lado, quando são feitos estudos com o rigor necessário, a conclusão é que essas práticas não tem efeito melhor do que um placebo. Embora as práticas muitas vezes não tragam riscos diretos aos pacientes (mesmo porque não têm efeito), elas são perigosas caso alguém troque a medicina baseada em ciência por tais “terapias” e deixe de receber o tratamento necessário.
Também é lamentável que a Gazeta do Povo tenha feito uma reportagem incentivando a procura por tais práticas sem ouvir uma opinião contrária a elas, quando na realidade deveria ter feito uma reportagem alertando sobre os perigos no uso de tais práticas e incentivando a procura por métodos de tratamento com eficácia comprovada.
Vejam a brilhante ideia do senador Artur Virgílio (PSDB-AM):
Dizem que foi raio, que foi tempestade. Ninguém sabe. Já que ninguém sabe, vamos chamar a Fundação Cacique Cobra Coral para dar uma opinião de vidência já que a ciência a administração pública não respondem às nossas dúvidas.
Uma decisão da Corte Européia de Direitos Humanos diz que as escolas públicas italianas não devem ter em suas salas de aulas estátuas mostrando um homem seminu sendo torturado e executado*.
A decisão foi motivada pela ação movida por Soile Lautsi, que reclamou o direito de dar uma educação a seus filhos sem que eles sejam expostos contra sua vontade à religião.
A história ainda não está resolvida, a Itália quer recorrer da decisão. Mas já é um importante passo na direção de uma separação entre o Estado e a Igreja.
Como era de se esperar, o papa Chico Bento XVI reclamou da decisão. Me pergunto se ele reclamaria se em todas as salas de aula existisse um crescente e uma estrela e fosse ordenado que este fosse retirado.
* Não consegui achar mais detalhes sobre a decisão, mas parece que ela só se aplica mesmo às escolas (e não necessariamente a outros prédios públicos). Também não consegui descobrir se ela só fala especificamente sobre crucifixos ou se vale para qualquer símbolo religioso. Não que haja outros símbolos religiosos sendo exibidos em prédios públicos, mas seria interessante se a decisão fosse mais genérica.
A dra. Hulda Clark, que afirmava que o câncer (e outras doenças) eram causados por parasitas e que a a cura seria tão simples quanto uma mudança na dieta e uma limpeza do fígado (vejam o link para detalhes), morreu dia 3 de setembro de mieloma múltiplo, um tipo de câncer do sangue.
Pensei nessa ideia: jogar uma pequena estátua antropomórfica (não precisa ser necessariamente uma obra de grande valor artístico, só precisa ser facilmente reconhecível) em algum rio. Com um pouco de sorte, conseguimos mais um feriado.
Um cientista italiano recriou o Sudário de Turim, utilizando apenas técnicas e materiais existentes na Idade Média.
Um dos motivos pelos quais cristãos afirmam que o Sudário representa a imagem de Cristo é que não havia ainda uma explicação sobre como a imagem foi passada ao tecido. A descoberta do cientista mostra que não há nenhum processo sobrenatural envolvido e que mesmo com técnicas medievais seria possível criar algo como o Sudário.
Naturalmente, pessoas que acreditam que o Sudário realmente representa a imagem de Cristo mesmo o tecido tendo sido datado como sendo de algum período entre os anos 1260 e 1390 vão ignorar também essa nova evidência de que o Sudário é apenas uma fraude.